Sua Majestade – A Propaganda

Em um reino da era medieval, vivia um bobo da corte; nunca vi nada igual! Falava em verso e rima, cantava, se equilibrava, cabeça pra baixo, pernas pra cima. Contava piadas, fazia parodias, muita ironia e gargalhadas. Mas e ai? É um bobo – você pensa – qual a diferença? Era um Bobo patrocinado. Como assim? Já lhe explico. Mas algumas linhas, eu lhe suplico. Nas festas e recepções, havia muita gente importante, reis, príncipes, barões. Ótima oportunidade de anunciar, era só com o bobo acertar! Por algumas moedas de prata seu nome entrava na corte, claro, de forma pirata. E lá ia o Bobo, todo faceiro, dinheiro na bolsa, língua afiada, tiro certeiro!

 

– Bem vindo nobre viajante a Corte de Felipe Terceiro, filho do Segundo, neto do Primeiro! Vejo que está um pouco cansado, isso não aconteceria se Carruagem Wilson tivesse usado!

 

– Hoje o Príncipe Luis teve tudo o que sempre quis, caçou Javalis ao lado de Sua Majestade, que mata os animais sem nenhuma maldade! Afinal suas flechas são certeiras. Flechas Dupont acertam de primeira! 

 

– Venham todos se fartar o banquete já vai começar. Uvas, damascos, nozes e faisão! Tomates, beterraba, cenoura e leitão! Mas de nada adiantaria se o vinho fosse uma porcaria! O vinho da corte é de primeira, importado pelo senhor Oliveira!

 

Eis que o Rei é roubado! Alguém em seu tesouro havia tocado! Uma busca deveria ser feita, de ninguém havia suspeita. Em plena madrugada o Bobo foi acordado, abriu a porta todo despenteado. Os guardas acham debaixo da cama, um baú cheio de grana. Levam o Bobo todo algemado, não tinham dúvida, era culpado!

Foi levado em meio ao povo, lhe xingavam e atiravam ovo. O Carrasco encapuzado pegou com uma mão o pobre coitado. O chefe da guarda lê a sentença, olha pro Bobo com indiferença. – Suas últimas palavras Bobo da Corte!  – E deixou-lhe a própria sorte.

– O que vou dizer, quero que nunca esqueça: – Machado Guliver é o melhor! Minha palavra… ou perco a cabeça!